Literatura e Teatro na Formação da Criança
em 12. nov, 2007 por Isabela em Artigos
É nas palavras que moram as coisas que não existem, os sonhos, os pensamentos que nos fazem voar. (Rubem Alves)
Concebendo leitura como processo dinâmico que é tecido pela relação do leitor com a obra, contemplando, desse modo, uma visão de leitor como sujeito sócio histórico e co-autor do texto, apresentaremos a relevância da literatura e do teatro nos caminhos daqueles que estão descobrindo a fantástica aventura de ler.
Cabe ressaltar a leitura como instrumento de poder, que, como tal, exerce seu papel político de modo que liberte ou aliene os indivíduos, e nesses percursos antagônicos, os quais o homem irá trilhar pela força da palavra produzida por outras mãos, há a relação com a intencionalidade de cada texto, que é sempre carregado de valores e interesses. Por isso, a leitura pode contribuir para a transformação ou favorecer a inculcação da acomodação.
Assim, apontamos que, por constituírem arte, a literatura e o teatro possuem o caráter lúdico que oportuniza ao ser humano brincar com as palavras, explorar o imaginário, desenvolver a criatividade e sonhar, percorrendo portanto, as vias do questionamento e da negação ao conformismo, o que lhe viabiliza a conquista da condição de autoria.
Desse modo, ressaltamos que, através da linguagem poética, a literatura e o teatro propiciam à criança diferentes percepções do mundo e situações recheadas de contradições; estimulando o pensamento, ingrediente essencial para alimentar o poder da leitura como ferramenta da utopia, elemento primordial para a edificação de uma realidade alicerçada no respeito à vida.
O texto literário possibilita a formação do leitor à medida que exige sua participação ativa. O leitor penetra na obra, emociona-se com a história, estabelece ligações com outras leituras fictícias e/ou reais. E na dramatização vive com a força da representação o jogo simbólico que propicia o brincar de diversos papéis na figura de personagem diferentes, conferindo a essa atividade a possibilidade do auto conhecimento e auto-expressão indispensáveis ao desenvolvimento da pessoa.
Afirmamos ainda que o universo infantil é plenamente compatível com a literatura e o teatro, por observarmos as características similares que unem a criança e a arte pelos itinerários da ludicidade. Como ressalta (SOUZA, 2003: 149): a imaginação da criança, trabalha subvertendo a ordem estabelecida, pois impulsionada pelo desejo e pela paixão, ela está sempre pronta para mostrar uma outra possibilidade de apreensão das coisas do mundo e da vida.
Assim, a criança é favorecida no contato com a literatura infantil, por tratar-se de uma experiência vivenciada na condição de sujeito, pois o sentido do texto é particular, a leitura é uma via de mão dupla na qual autor e leitor se encontram para em parceria construírem o texto, imprimindo ambos suas marcas. De fato, as incursões do leitor nas obras literárias produzem o alongamento do campo possível, e, conseqüentemente, a consciência de outras possibilidades de ser e existir. (SILVA, 1998: 91)
E é na posição de leitor que o sujeito utiliza a palavra como suporte para o alcance da autonomia pois, entende-se que o dito leitor, seja capaz de perceber além das palavras, de realizar inferências e intervir como agente transformador da sociedade. Segundo Montessori, o homem é tanto mais livre quanto maior sua capacidade de optar pelas coisas que lhe fazem bem.
Defendemos portanto, a premissa de que a literatura e o teatro representam para a criança janelas abertas para o mundo, como formas de desvelamento da realidade e fonte de prazer, através da criação, que se concretiza na possibilidade de sonhar, construção essencial na manutenção da esperança, sentimento exclusivamente humano, força revolucionária!
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