Ai, que teimosia! A resistência na hora de se arrumar para a escola ou sentar-se à mesa do jantar, na verdade, é demonstração de personalidade
em 25. mai, 2009 por Equipe ECA em Artigos
De repente, aquela criança meiga, que ficava sempre ao seu lado, feliz em fazer tudo o que você pedia sem questionar nenhuma ordem, muda. Agora, são horas para fazê-la levantar da cama. Entrar no banho e se vestir, então, vira uma guerra diária. Às vezes parece preguiça ou até algum problema físico, mas não há nada de errado com ela, apesar de o comportamento muitas vezes atingir o limite da paciência dos pais. “A sensação é de que a criança está sempre absorta, perdida em outro mundo, sem prestar atenção ao que se pede a ela”, descreve a psicanalista mineira Silvia Grebler Myssior.
Bater o pé para não fazer o que não quer tem mais a ver com demonstração de personalidade. “Como sente que já tem acesso à própria identidade, fica com medo de perdê-la”, explica Silvia. “A criança vive um período no qual já se sente emocionalmente mais segura e independente, e age mais de acordo com suas vontades do que com as dos pais ou dos adultos em geral. Por isso ela se ressente em ter de parar o que está fazendo e obedecer os pais”, concorda a psicóloga Luciana Altenfelder, do Hospital da Criança, em São Paulo.
Só quando quer
A física Eliana Nunes, 50 anos, pensou que iria enlouquecer quando sua filha Gabriela, 7, entrou nessa fase. “No início achava que tinha algo errado porque todos os dias de manhã era uma discussão para levá-la ao colégio. Ela queria dormir. Quase mudei o horário da escola, achando que estava exigindo demais, fazendo-a levantar cedo, mas notei que o comportamento se repetia também à tarde, na hora de guardar os brinquedos. Quando a escola marcou a saída de uma excursão para um horário ainda mais cedo do que o das aulas, Gabi não reclamou nem um pouco e chegou para o café-da-manhã de banho tomado e trocada. Observei que ela só ficava ‘cansada’ quando convinha. Apesar de respeitar as vontades da minha filha, passei a ser mais firme”, conta Eliana.
A mãe agiu certo. O melhor nessa fase é ter paciência e buscar um equilíbrio entre o que a criança deseja e o que os pais querem. Primeiro verifique se o seu filho não está com excesso de atividades, o que realmente o levaria a ficar cansado. Se não for o caso, respeite a personalidade dele – e a sua.
Pequenas negociações
Palmadas só pioram a situação. Gritos também não resolvem muito. Melhor conversar. A criança estará escutando mesmo fingindo que não.
Tente sempre mostrar alguma vantagem do que você está pedindo (ir à escola encontrar os amiguinhos, sentir-se limpa depois do banho…).
Deixe que ela demonstre sua personalidade. Ela pode escolher a roupa que vai colocar depois do banho. Ou deixe-a, por exemplo, fazer a tarefa depois do desenho preferido (mas aí tem de fazer mesmo ou não será mais respeitada).

